ORGANIZAÇÃO: UNE PELA BASE

Entre o vácuo do governismo e o sectarismo é necessário construir a UNE pela base!

Em meio ao dissenso e fragmentação do movimento da classe trabalhadora e o fim do ciclo PT, surge em vários estados e em todos os segmentos organizativos (estudantil, sindical e popular) movimentos coletivos e organizações que não se encaixam nos atuais partidos de esquerda, pelo fato de não verem nestes o referencial da classe.

Os coletivos passaram a cumprir um papel que antes era dos partidos, junto a sua base na luta concreta nos estados, cidades e regiões. Este fenômeno no movimento estudantil é muito claro. Organizando a esquerda do ME na UFPI e na UESPI, tivemos a atuação no Piauí do coletivo CORDEL; No Ceará, há a atuação do coletivo Braços Dados na UECE, sendo protagonista no movimento estudantil e contribuindo com as lutas do movimento popular combativo do Ceará; Em Minas Gerais temos a atuação do coletivo Dialogação (DCE-UFU) e Vira Mundo; Em SC temos atuação do coletivo 21 de junho que esta a frente do DCE-UFSC; Em  Mato-Grosso, em meio às lutas em defesa do passe-livre, surge o MRS (Movimento Rumo ao Socialismo), organizando-se em núcleos nas escolas, universidades, bairros e sindicatos cumprindo um papel organizacional na luta de classes no estado.

Esses têm em comum, além de não se referenciar nos atuais partidos de esquerda, uma concepção de organização por local de estudo, compreendendo as limitações do movimento estudantil, mas através dele contribuindo com a luta dos trabalhadores.

Baseado nessa análise em comum é que surge o projeto “UNE PELA BASE”. Uma plataforma que envolve uma construção coletiva de alternativa política nacional para organizar um movimento estudantil e contribuir na luta de classes. Não uma frente ou uma federação de forças, coletivos e correntes, mas uma alternativa que todos os estudantes possam reivindicar e participar. Realizar um ME organizado pela base que construa um pilar político para os C.A’S, DCE’S, grêmios estudantis, executivas e federações de curso, além de uma tática consciente para a única entidade de massas dos estudantes (a UNE.), é a nossa luta.

Percebe-se, portanto, que a “reconquista” da UNE pelos estudantes, sem a unidade nas lutas e a retomada do movimento dos trabalhadores, é tão ludibriante quanto criar uma entidade “novinha em folha”. A proposta “UNE PELA BASE” deve ser apresentada aos estudantes que estão na UNE ou que romperam em outros períodos e não passaram a construir a ANEL. É preciso compreender que das crises oriundas com o fim do ciclo PT e UNE, pode nascer um novo ciclo. Porém, é o movimento que determinará esta construção, não a vontade subjetiva de grupos ou coletivos.

Para a maioria dos estudantes a UNE ainda é espaço de referência. Assim, construindo por dentro e por fora, estimulando lutas na base, é possível criar condições para que das contradições do velho possa nascer um novo movimento estudantil!

E, além do dever de ME, a tarefas da “UNE PELA BASE” é a construção de uma visão estudantil de classe, fenômeno não muito presente nos últimos tempos e fugir dos vícios da pequena burguesia. Uma tarefa nova faz-se necessária para o movimento estudantil: compreender que muitos trabalhadores estudam e muitos estudantes trabalham. Através da atuação no movimento estudantil pelas questões específicas e imediatas temos condições de entrar em contato com diversas categorias de trabalhadores. Estimular a organização por local de trabalho e a retomada das organizações sindicais destas categorias pode ser uma grande contribuição do M.E para a reorganização da classe trabalhadora.

Em MT, SP, CE, experiências nesse sentido foram construídas pelos companheiros da UNE pela Base, processo que culminou em MT na disputa do sindicato dos correios, onde o movimento estudantil foi fundamental da organização da chapa e na campanha;  em Santos fortalecimento da organização  do sindicato dos metalúrgicos;  e no Ceará de iniciar uma construção no movimento dos professores e bancários; na Bahia através do movimento estudantil entramos em contato com o movimento dos metalúrgicos de Camaçari.

No movimento sindical vemos a construção da INTERSINDICAL, que vem tendo papel protagonista na organização do operariado do setor produtivo e demais setores. No campo, vemos o MST enfrentando as multinacionais do agronegócio. E no movimento estudantil, várias lutas vêm se desenvolvendo por todo país, contra o aumento da tarifa do transporte, pelo passe-livre irrestrito, por mais verbas para educação.

Devemos, afinal, ter no ME um instrumento que possa cumprir o papel de organizar as lutas com uma visão estratégica. Acelerando, ainda mais, o processo de reorganização dos trabalhadores, para enfrentar o Capital, sair dessa defensiva e passar para ofensiva da classe trabalhadora. A construção da “UNE PELA BASE” não é a criação de uma entidade paralela a UNE, nem um rompimento com a oposição de esquerda. Compreendemos a oposição de esquerda como espaço importante e vamos continuar na sua construção, porém percebemos que sua unidade apenas se concretiza na intervenção nos espaços da UNE. Acreditamos que devemos construir campanhas e lutas nacionais de forma conjunta, porém nossa unidade é limitada. Compreendemos os limites e não vamos ficar reféns dele, iremos agitar, onde quer que estejamos: o caminho é construir um movimento estudantil autônomo dos partidos, dos governos e reitorias, organizado pela base.

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